Mario Cunha, Músico, Professor, Comendador, Palestrante e Diretor | Mario Cunha em entrevista para ‘Guia Curso’ – 03/2008
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Mario Cunha em entrevista para ‘Guia Curso’ – 03/2008

Mario Cunha em entrevista para ‘Guia Curso’ – 03/2008

Mario Cunha em entrevista para o ‘Guia Curso’ – 03/2008

Assim como em outras áreas, a formação acadêmica no ramo musical vêm sendo cada vez mais exigida e valorizada. Segundo o diretor do Conservatório Souza Lima, Antonio Mario Cunha, as chances do músico ser bem-sucedido aumentam quando ele adquire o diploma do curso superior. “Se o profissional não tiver embasamento acadêmico de quatro, cinco anos, acaba não auferindo um bom resultado”.

Com o foco voltado à aprovação do aluno no vestibular, o curso preparatório aprimora as habilidades e também capacita o candidato para a obtenção de bolsas de estudos em instituições de ensino musical.

Conheça a estrutura e os objetivos deste curso e saiba como escolher adequadamente a escola de música, nesta entrevista.

Guia Curso – Qual é o foco e o objetivo do curso preparatório lecionado no Conservatório Souza Lima?

Antonio Mario Cunha – O curso preparatório existe para o curso técnico e para a faculdade. Ou seja, é preparatório para vários cursos de nível médio ou superior, inclusive, para a nossa Faculdade que é internacional, pois é conveniada à Berklee College of Music (Boston – EUA). É um curso que tende a desenvolver o necessário para que o aluno passe no vestibular técnico, para que ele toque e tenha a performance necessária. Ele também tem o objetivo de preparar o aluno para concorrer a bolsas de estudos em universidades e no próprio Conservatório Souza Lima. O curso tem duração de seis meses a um ano, dependendo do nível que o candidato se encontra. Para freqüentar as aulas do preparatório, o aluno já tem de ter uma boa carga de estudos instrumental e uma carga mínima de dois anos teórica, caso contrário, ele não vai conseguir se preparar para o vestibular.

GC – Qual a importância da formação superior para a carreira do músico?

AMC – Há quatro, cinco anos atrás, essa formação não era tão importante no meio musical. Hoje, a música também se tornou algo muito acadêmico, aja visto que o Souza Lima tem muitos professores graduados com títulos de mestres e doutores, coisa que há dez, quinze, vinte anos atrás não existia no mercado. Atualmente, é necessário que o músico tenha conhecimentos técnico, teórico e de business. Você tem que ser um arranjador, compositor, escritor, ler partitura, fazer trilha para cinema, jingle, comercial publicitário, enfim, você tem que ter atividades que são remuneradas, porém, que são disponíveis somente para bons profissionais. Se o profissional não tiver embasamento mínimo acadêmico de quatro ou cinco anos, acaba não auferindo um bom resultado. Acabou aquilo de ser um instrumentista nato. Existe alguns músicos que ainda sobrevivem nesta situação, porque são muito bons, são talentosos, excelentes cabeças pensantes musicais, mas a grande maioria tem de estudar e muito. O problema no Brasil é que as pessoas, em geral, não mergulham profundamente nas situações. Elas são superficiais e não recicláveis. O aluno vem fazer aula de música, assiste à 10 ou 30 aulas e depois de um ano está dando ensinando como tocar violão na esquina. Isso acaba com as escolas, com os professores e com os músicos também.

GC – Então, como avaliar a qualidade de uma escola de música?

AMC – A primeira coisa que eu diria é: ouça um aluno da escola tocando. O maior resultado que uma escola pode obter é o desempenho do seu aluno. Isso pode ser observado por meio do repertório, de recitais, shows, de uma banda, etc. Hoje, o Souza Lima desenvolve projetos com alunos que tocam em diversos locais, tais como, a Casa da Fazenda do Morumbi, sala Vip da Tam, o Memorial da América Latina, Museu da Marinha, etc. Diversas empresas e escolas nos convidam e nós levamos sempre os alunos para tocar. Num segundo momento, sugiro que busquem informações sobre o corpo docente que deve ser interessante, formado, competente, capacitado e renomado. É uma somatória de fatores que devem ser analisados.

GC – Como é o mercado de trabalho para o músico?

AMC – O bom profissional, dedicado e que faz o que gosta com muita disciplina e motivação, em qualquer área musical, vai conseguir desenvolver um layout especial na vida, seja como instrumentista, compositor, arranjador ou professor de música. Não importa qual é a diretriz, o que importa é exatamente o perfil deste futuro profissional. Existe músicos e professores que ganham bem, existe projetos que são desenvolvidos para que os músicos tenham apoios e patrocínios. É um mercado muito grande e, no Brasil, está crescendo bastante. Se a pessoa for um profissional de ponta, não vai faltar trabalho.

GC – Como o músico pode se manter atualizado?

AMC – Basta que o profissional seja organizado, disciplinado e busque as informações, sejam elas técnicas ou teóricas. Isso pode ser feito por meio de workshops, seminários, congressos, acesso à internet e busca continua junto às pessoas que trabalham no meio. Assim, haverá atualizações e realizações em todos estes perfis e é bem provável que o músico consiga um bom lugar ao sol. A globalização e o ensino da música esta sendo bem difundido atualmente e de todas as maneiras. Isso ajuda muito. Antigamente, isso era muito obscuro e desvalorizado, mas com o passar do tempo a música vem assumindo um papel importante na educação integral do ser humano e o seu ensino vem se aprimorando a cada dia.